terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

"JONAS" UMA ANÁLISE DA ATIVIDADE MISSIONÁRIA DA IGREJA!



O DEUS ETERNO CHAMOU!

“Abrão tinha setenta e cinco anos quando partiu de Harã, como o Deus Eterno havia ordenado. ”[1]
Estamos vendo um home já avançado na idade, com uma boa bagagem de observações e experiências vividas, mudando de um lugar para o outro, para um lugar que nem nós e muito menos ele conhecia e nem sabia onde ficava. O que será que estava acontecendo? O que pode fazer um homem de setenta e cinco anos levantar a barraca e partir? Vejamos:
“Certo dia o Deus Eterno disse a Abrão: - Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai e vá para uma terra que Eu lhe mostrarei. Os seus descendentes vão formar uma grande nação. Eu abençoarei você, e o seu nome será famoso, e você será uma benção para os outros. Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem. E por meio de você todos os povos do mundo serão abençoados. ”[2]
Ora pois, o Deus Eterno chamou um homem, e o removeu do seu lugar com a idade de setenta e cinco anos simplesmente para usá-lo como instrumento de sua bênção com o objetivo final de que todos os povos da terra fossem abençoados por Deus. Uma questão surge agora e, nela pretendemos trabalhar mais tarde: Que tipo de bênção Deus tinha reservado para todos os povos? Qual era a bênção? Mas, existe um fato revelado no relato acima para o qual devemos atentar nesse desdobramento da revelação que Deus faz de si mesmo: o Deus Eterno quer e vai levar a sua bênção para todos os povos, para todas as famílias da face da terra.
“Quando o Deus Eterno viu que Moisés estava chegando mais perto para ver melhor, Ele o chamou do meio da moita e disse: Moisés! Moisés! Eu estou aqui respondeu Moisés.... Agora venha, e Eu o enviarei ao rei do Egito para que você tire de lá o meu povo, os israelitas. ”[3]
Eis aqui outro relato maravilhoso e muito importante, não só para Israel, mas também, para todos os povos da terra. Deus chamou Moisés para participar na obra da redenção; para trabalhar em favor da redenção, da libertação do homem oprimido, escravizado pelas forças da maldade, da violência, da opulência, da injustiça, da desonra, consequentes da determinada vida de pecado tanto de Israel como de todos os povos da face da terra.
Dietrich Bonhoeffer falou sobre quatro mandatos ou instituições na tarefa de Deus delegadas ao homem para o seu serviço: de trabalho, de casamento, de governo e de Igreja.[4] Abraham Kuyper resumiu estes quatro mandamentos a dois: o cultural e o redentor. O mandamento cultural chama toda a humanidade a participar na ordenança e na administração da criação, isto é, na obra da civilização e da cultura. O mandamento redentor, que começa a surgir a partir de Gênesis 12 e que se torna explícito com a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, chama o povo redimido de Deus a participar com Ele na missão da redenção.
“Quando Jesus andava pela beira do lago da Galileia viu dois irmãos que eram pescadores: Simão, também chamado Pedro e André. Eles estavam pescando no lago, com redes. Jesus disse: Venham comigo que Eu ensinarei vocês a pescar gente. Então eles logo largaram as redes e foram com Jesus. Um pouco mais adiante Ele viu outros dois irmãos, Tiago e João, filhos de Zebedeu. Eles estavam no barco com o pai e consertavam as redes. Jesus os chamou, e eles, no mesmo instante, deixaram o pai e o barco e O seguiram. ”[5]
Ainda hoje o Deus Eterno continua chamando homens e mulheres para uma obra específica. Posso dizer que este chamado inclui dois aspectos básicos: Venham comigo e aprendam comigo! O outro é: vá pescar homens, vá libertar o povo, vá abençoar o povo! Porém, primeiro é preciso vir ao Deus Eterno: é Ele quem tem a bênção, faz a obra, ensina o que é para ser feito, como deve ser feito, o quanto, onde e quando deve ser feito. Somente depois de aprender com o Deus Eterno é que se pode ir! Somente depois de capacitado para ir onde Ele quer é que o homem conseguirá fazer o que Ele quer, como e quando Ele quer. Sair sem observar esses dois aspectos é prepotência!
Carriker[6] afirma que a falta de compreensão da importância e da relação entre o mandato cultural e o mandato redentor tem provocado grandes desequilíbrios na formulação da missão da Igreja.
“Certo dia o Deus Eterno disse a Jonas filho de Amitai: Apronte-se e vá à grande cidade de Nínive... “[7]
O Deus Eterno Resolveu chamar Jonas, um “eleito”, não por seus próprios méritos e nem somente para a sua própria bênção ou para o seu próprio gozo, senão pela exclusiva vontade, dignidade, soberania, autoridade, governo, poder, domínio e misericórdia de Deus para abençoar outro povo; não o seu próprio povo; mas outro povo, que, e acima de tudo, era seu inimigo mortal; um exemplo claro, vívido de missão transcultural.
Jonas recebeu do Deus Eterno uma tarefa específica, muito clara: “Apronte-se, vá à grande cidade de Nínive... “


[1] - Veja Gn 12.4. TLH.
[2] - Veja Gn 12.1-3. TLH.
[3] - Veja Êx 3.4 e 10. TLH.
[4] - Bonhoeffer, 1955.
[5] - Veja Mt 4.18-22. TLH. O grifo é nosso.
[6] - Carriker, 1990.
[7] - Veja Jn 1.1-2. TLH.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

"JONAS" UMA ANÁLISE DA ATIVIDADE MISSIONÁRIA DA IGREJA!



O Deus Eterno Viu!
   
             O texto relatado em Gênesis capítulo seis nos traz uma revelação relevante: Deus viu! Afinal de contas “foi Ele quem fez os nossos olhos será que não pode ver? [1]” Como poucos atentam para esse fato carece-nos de perguntar: o que foi que o Deus Eterno viu? E, porque eu não estou vendo? Atentemos para o texto de Gênesis:
                Quando o Deus Eterno viu que as pessoas eram muito más e que sempre estavam pensando em fazer coisas erradas, ficou muito triste por haver feito os seres humanos. O Eterno ficou tão triste e com o coração pesado... Noé era um homem direito e sempre obedecia a Deus. Entre os homens do seu tempo, Noé vivia em comunhão com Deus. Para Deus todas as pessoas eram más, e havia violência por toda parte. Deus olhou para o mundo e viu que estava cheio de pecado, pois todas as pessoas só faziam cosas más.[2]
                A maldade se desenvolvia numa velocidade crescente; a iniquidade aumentava a cada instante; o amor caiu não só no conceito como também no valor! A declaração de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo na revelação que faz aos seus discípulos sobre a progressão do mal diz que: “A maldade vai se espalhar de tal maneira, que o amor de muitos esfriará...[3]
Para Finney: “O amor consiste na escolha do mais alto, do mais elevado bem para Deus, para o homem, para o universo todo, como uma finalidade em si, devido ao seu valor intrínseco, em um espírito ou atitude de total consagração a este, como o objetivo final da existência.[4]
 O contraste percebido logo depois de um tempo da criação revela quão grande é a distância entre as condições presentes no momento da visão: no início viu Deus tudo o que havia sido feito e eis que tudo era bom! Agora, viu Deus a maldade progredindo! Logo após a criação do homem o Deus Eterno lhe dá as instruções de vida e lhe delega a tarefa de administrar a obra da criação, o que deveria ser feito debaixo da direção de Deus segundo seus princípios normativos. Era preciso “administrar tudo que Deus criou, conforme a vontade de Deus, para a glória de Deus e, para o bem de todos.[5]” Isso é amor! Amor a Deus, à Palavra de Deus, à obra de Deus e ao povo de Deus!
No entanto, o Deus Eterno viu o crescimento da violência, da maldade; a visão da progressão do mal lhe pesou o coração que entristeceu: ver o homem distanciado do seu objetivo, da sua missão doía muito. O homem não mais buscava o melhor para o Deus Eterno, para o homem e para o universo todo. O Deus Eterno viu o homem...
Carriker diz assim: “Gn 1.27 esclarece quanto aos sujeitos da imagem de Deus no homem; Gn 1.28 esclarece quanto ao conteúdo da função dada ao homem de “dominar” a criação. Elabora a imagem de Deus no homem em três áreas de responsabilidade e administração: a sua experiência social e familiar (“multiplicar”, “encher”, “dar nome”.); a responsabilidade econômica e ecológica (“sujeitar”, cultivar”, “guardar”.); e o governo (“dominar”, “dar nome”.). Estes mandamentos – Gn 1.28; 2.15, 18-25 – marcam o início de uma série de obrigações: o mandato para a família e a comunidade, a lei e a ordem, a cultura e a civilização que se alarga e se aprofunda ao longo do desdobramento da revelação divina. Deste modo Deus chama a humanidade para o papel de vice regente sobre o mundo; todos devem participar responsavelmente nesta tarefa.[6]
Pode-se afirmar que a queda na maldade e violência é consequência do fato de o homem não prestar atenção no que o Deus Eterno estabeleceu para ele.[7] Tudo ficou errado! A destruição da obra criada e do próprio homem se manifestou de forma exacerbada! As Escrituras Sagradas nos revelam o que se pode ver: o sofrimento, a aflição, a angústia, o desespero, a decepção, a frustração, a desonra; aflitos, agoniados e desamparados: esta é a situação do homem; isso é o que o Deus Eterno viu! Isso eu, o missionário e a Igreja precisamos ver! Em um outro relato a Bíblia Sagrada nos declara:
“Então o Deus Eterno disse: Eu tenho visto como o meu povo está sendo maltratado no Egito; tenho ouvido o seu pedido de socorro por causa dos seus feitores. Sei o que estão sofrendo. ”[8]
O Deus Eterno sabe que o homem está sofrendo, sabe o que é o sofrimento e porque ele sofre. No entanto, Ele não fica só no ver! Ele viu a grande cidade de Nínive que na ocasião da revelação a Jonas estava dominada pela maldade e violência. A iniquidade crescera até chegar aos ouvidos de Deus. Ora pois: “Foi o Deus Eterno quem fez os nossos ouvidos, será que não pode ouvir? ”[9]
“A grande cidade de Nínive era a capital do grande império da Assíria, nação inimiga mortal do povo de Deus. Esta ousada e poderosa raça era um rebento do velho Império Babilônico. O fim da política da Assíria era destruir a unidade racial dos povos conquistados. O Israel do Norte perdeu todo o seu sentido político e religioso tornando-se simplesmente uma colônia do grande império Assírio. Na breve história do Israel do Norte ficou demonstrada a grande verdade de que a prosperidade, a oportunidade e cultura não desenvolvem necessariamente um caráter nacional. Por outro lado, por meio de seus profetas, o Deus Eterno deu ao mundo certas verdades a respeito da justiça de Iahweh e do Seu amor que se tornaram pedras angulares da fé entre a humanidade. A destruição do Israel do Norte por parte da Assíria foi a grande lição que o Deus Eterno deu ao mundo. Enquanto o povo se mantém fiel há prosperidade e paz; quando o povo se esquece do Deus Eterno tudo desaparece! Esta tem sido a lição que a maioria dos povos não tem querido aprender. [10]
O Deus Eterno viu a grande Nínive, a capital do grande Império da Assíria que Ele mesmo usara como instrumento de disciplina para o povo que era d’Ele. Nínive estava dominada pela imoralidade, violência, injustiça social, idolatria, promiscuidade sexual, orgia, glutonaria, luxúria, bebedeira, ociosidade e opulência. Nínive estava dominada pela maldade. “ ... A maldade daquela gente chegou aos meus ouvidos. ”[11]


[1] - Veja em Sl 94.9. TLH.
[2] - Gn 6.5-11. TLH. O destaque é nosso.
[3] - Mt 24.14. TLH.
[4] - Finney, 1846.
[5] - Mandato Cultural. José Martins, 1990.
[6] - Carriker, 1990.
[7] - Veja Gn 3.1-19.
[8] - Veja Êx 3.7. TLH.
[9] - Veja Sl 94.9. TLH.
[10] - Mesquita, 1954. O grifo é nosso.
[11] - Veja Jn 1.2.

sábado, 23 de janeiro de 2016

"JONAS" UMA ANÁLISE DA ATIVIDADE MISSIONÁRIA DA IGREJA!

"JONAS"

UMA ANÁLISE DA ATIVIDADE MISSIONÁRIA DA IGREJA!

Introdução

                É possível arrancar de Jonas, melhor dizendo, do Livro do Profeta Jonas, relevantes lições com implicações missiológicas?
                Ora pois, o Livro do Profeta Jonas é extremamente rico; pequeno no tamanho, mas abordando temas de fundamental importância para o desenvolvimento do trabalho que Deus ordenou[1] que executássemos.
                Sua amostra nos revela a necessidade que temos como pessoa e como igreja[2] de reavaliar nosso envolvimento com o plano salvífico de Deus. Ele, o Livro do Profeta Jonas, nos questiona no íntimo, nas entranhas, “na essência de ser ou não ser servo de Deus; de ser ou não ser herdeiro das promessas de Deus, do Reino de Deus. ” Estou pensando na Lei moral da Gratidão no Coração. O livro do Profeta Jonas é uma reflexão séria sobre a práxis de missão.
                Não há dúvidas que o trabalho de Deus e o seu eterno propósito é abençoar todas as famílias, todos os povos da terra. Quando Adão pecou ele se escondeu de Deus; no entanto, o próprio Deus foi à sua procura, foi ao seu encontro: “ ... onde é que você está? [3] “ Conhecedor de sua própria situação, que não é boa, o homem, dominado por um medo terrível que o faz, dia a dia, afastar-se do Deus Eterno Criador, esconde-se nas moitas e esquinas da vida desenvolvendo em si e no próximo um brutal sofrimento.
                Esta situação de aflição e abandono, naturalmente, é vista pelo Deus Eterno que imediatamente se dispõe a trabalhar para a mudar a situação. As Escrituras Sagradas do Novo Testamento nos ensinam sobre esta disposição e disponibilidade do Deus Eterno nesse maravilhoso texto sobre a pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: “ ... Jesus andava visitando todas as cidades e povoados. Ele ensinava nas casas de oração, anunciava a Boa notícia do Reino e curava as pessoas de todas as doenças e enfermidades. Quando Jesus viu a multidão, ficou com muita pena porque aquela gente estava aflita e abandonada, como ovelhas sem pastor. Então disse aos seus discípulos: De fato a colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam ao dono da plantação que mande mais trabalhadores para fazer a colheita.[4] “ Este relato bem demonstra a disposição e disponibilidade do Deus Eterno que, apesar de toda a situação de afastamento do homem de si mesmo, toma a dianteira para suprir todas necessidades do homem perdido por estar afastado de Deus. Daí, entendemos sobre a nossa necessidade de dispormos nossa vida a Deus; precisamos viver à disposição de Deus para a obra da salvação de levar a vida para quem a perdeu! Será que não podemos estar à disposição de Deus?
                É assim que o Deus Eterno vê o homem; é assim que nós precisamos ver: “ o homem perdido, sem Deus, afastado de Deus; mas, que pode voltar à comunhão com Deus. ” Você entende o que é salvação! Você sabe o que é ser transportado do Reino das Trevas para o Reino da Luz! Você sabe como foi o processo de retirar de dentro do homem velho o homem novo![5] Você sabe que sua vida foi transformada, que suas motivações estão corretas e que são embasadas em critérios sólidos determinados pelos princípios normativos da Palavra de Deus! Você sabe qual é o motivo e o significado da sua existência! Você não vive como a procurar um significado ou uma satisfação aqui e ali! A colheita é grande não porque as pessoas são muitas, mas porque a aflição é muita, é grande! Porque o estado de abandono é grande, é terrível, doloroso, assustador! A escuridão produz um medo tão denso que se torna uma praga! O relato do Livro do Profeta Jonas nos mostra pois, o trabalho do Deus Eterno, o Grande Deus todo poderoso enviando um trabalhador para a colheita.
                Vamos seguir os passos desse trabalhador. Vamos observar o trabalho, a sementeira e a colheita: vamos ver o trabalhador e o Deus Eterno em suas ações tão diferentes um do outro nos seus pensamentos, sentimentos e comportamentos! Temos um convite para observar os pensamentos, os sentimentos e os comportamentos do trabalhador – "Jonas", Israel, a Igreja, eu, você! Naturalmente somos impelidos a observar os pensamentos, os sentimentos e os comportamentos do Deus eterno em referência ao povo e ao Jonas! E, não esqueceremos de observar os pensamentos, os sentimentos e os comportamentos reativos do povo frente à misericórdia de Deus, a despeito da falta desta no "Jonas" e o resultado da colheita!
                Oh! Querido Deus Eterno que vós abrais os nossos olhos! Ajudai-nos! Dai-nos tua visão, Senhor! Queremos e precisamos de olhos que possam ver!



[1] - Quando penso nessa ordenação vem à minha mente a Lei Moral (gratidão no coração) e a Lei Escrita: Mt 28.18-20; Mc 16.15; Lc 24.48.
[2] - Quando penso em igreja com i minúsculo estou pensando na igreja local, nas suas diferentes denominações e coloridas práticas de vida.
[3] - Gn3.9. TLH.
[4] - Mt 9.35-38. TLH.
[5] - Você conhece muito bem as lições de Col 1.9-15.

domingo, 3 de janeiro de 2016



7 - A MANIPULAÇÃO NO PROCESSO DA EVANGELIZAÇÃO - CONTINUAÇÃO.
Olá!
Passou o ano de 2015 e nós não tivemos tempo de terminar o assunto sobre a manipulação no processo da evangelização.
Agora começamos o ano de 2016.

O Assunto que segue é sequência: O que precisamos considerar quando nos propomos a Evangelizar!

A consideração destas proposições nos leva ao entendimento de que, como evangelistas, precisamos estar atentos ao fato de que o progresso evangelístico da igreja hoje, tem fracassado em quase todas as frentes, não só no Brasil, como em todo o mundo, porque não se está dando atenção ao preparo eficiente dos obreiros. Por outro lado, muitos obreiros quando atingem um certo patamar de preparo pensam que já sabem de tudo, que estão bem preparados e não querem se preparar mais e melhor. 

Existe hoje, uma onda muito grande de exploração das massas populacionais, produto de manipulação de dados, de recursos técnicos, de pessoas e de forças espirituais, tanto a nível de sociedade seja ela capitalista/consumista ou  socialista, como a nível de igrejas, contra o que se precisa lutar seriamente se, se quer plantar igrejas sadias, responsáveis e reprodutoras. Porém, necessário se faz estar conscientes de que esta luta não se vence da noite para o dia. 
A quantidade de forças e influências dos pensamentos do enganador, do opositor, do caluniador, imperando sobre as pessoas e sobre as estruturas de poder social é muito grande, e somente pessoas capacitadas, submissas a Deus poderão evangelizar sem manipulação. 

O obreiro manipulador dá valor às coisas e para obtê-las usa as pessoas. Ele dá mais valor aos meios do que aos alvos. Ele esquece que os alvos (fins) não justificam os meios. Ele engana com palavras persuasivas; e traz as pessoas cativas, presas a ele, aos seus programas, aos seus métodos, às suas técnicas, ao seu estilo, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo.(56). 

Antes de dar solução à questão da exploração das massas populacionais é precisa treinar e capacitar as pessoas, os obreiros, a quem estas massas vão seguir, para que possam executar uma evangelização sadia, segura, sem manipulação. 

Somente homens e mulheres, líderes em fim, que foram verdadeiramente transformados, que têm um compromisso vivo e verdadeiro com o Senhor, com sua palavra e com sua obra conseguirão promover transformações duradouras numa sociedade. 

Robert E. Coleman diz o seguinte: 

("...ninguém precisa gozar do prestígio do mundo a fim de ser grandemente usado no Reino de Deus. Qualquer que esteja disposto a seguir a Cristo pode tornar-se em poderosa influência sobre o mundo, contanto naturalmente, que essa pessoa tenha o treinamento apropriado.") Coleman, 1987.

Este treinamento, naturalmente, precisa ser específico dentro do que a igreja pretende fazer. 
Os obreiros deverão, pelo menos, receber, entre outros, treinamento em: 
teologia bíblica de missão, teologia bíblica do velho testamento, teologia bíblica do novo testamento, velho testamento, novo testamento, antropologia cultural,  fenomenologia da religião, linguística, evangelismo, hermenêutica, contextualização, crescimento da igreja, estratégia e metodologia missionária, formação e desenvolvimento de liderança local. 

É óbvio, se está pensando em um obreiro que já tenha  recebido  o  seu  treinamento e capacitação teológica em seminário ou similar. 

No entanto, não se pode esquecer e nem prescindir dos leigos (57), que também deverão receber o treinamento e capacitação específica. 

Mas, ao programar e desenvolver este treinamento, a igreja não pode se esquecer que no seminário, normalmente o homem não demonstra todo o seu caráter. E normalmente, o seminário não transforma o caráter de um homem. 

É preciso exigir a leitura de autores como Christy Wilson, Coleman, Henfor,  Hesselgrave, Juan Carlos Miranda, Kilinski, McGavran, Larry Pate, Oswald Sanders, Oswald Smith, Peter Wagner, Ralf Winter, Ruth Tucker, mas isto não é tudo.  

O que se está salientando é que não é suficiente que o obreiro tenha conhecimento intelectual, literário, de técnicas e métodos, se ele não está suficientemente transformado para ser obediente a Deus e a seu plano, bem como aos planos traçados pela igreja. 

O existencialismo de Camus, de Satre e de Vinícius de Morais é muito bonito; porém não transforma o homem em servo de Deus e servo do outro homem, para o bem; ao contrário, faz com que o homem seja cada vez mais, escravo de si mesmo, do pecado e do reino das trevas. 

Se muitos dos homens, treinados nos seminários, não chegam a conhecer Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador de maneira experimental, cuja experiência de fato seja escrutinada pela Bíblia Sagrada, não poderão pregá-lo de forma viva aos outros. 

Não é fácil trabalhar no caráter de um homem! E a Igreja foi estabelecida por Deus para este trabalho e vai ter que trabalhar neste sentido. 

Precisa-se da operação do Espírito Santo, porque o que se quer e precisa é ter obreiros em cujo caráter se encontram as seguintes marcas:

01 - obreiro que ama ao Senhor;
02 - obreiro que ama a Palavra do Senhor;
03 - obreiro que ama o Povo do Senhor;
04 - obreiro que ama a Obra do Senhor.

Não pode haver mudança no caráter ou no propósito dos obreiros se não houver obediência. 

Os crentes devem ser cheios do Espírito Santo e dar evidências deste fato. (58). Devem exibir a unidade do Espírito Santo (59) e estar sempre alegres em todas as circunstâncias.(60). O problema é que para muitos membros de igrejas e obreiros, a Bíblia Sagrada tem sido mais um compêndio de verdades a serem discutidas, entendidas ou compreendidas e nem tanto um manual de realidades a serem vividas. 

Daí, algo que a igreja não pode descuidar, é que este treinamento precisa e tem que ser supervisionado, um verdadeiro estágio supervisionado. Além disto, é preciso que o obreiro conheça e esteja integrado em todos os detalhes da estratégia que a igreja montou para a cidade ou para a região específica onde o obreiro irá desenvolver o seu trabalho, para que se possa fazer uma avaliação segura da execução e do desenvolvimento do trabalho.

 O que não se pode admitir, é que, em nome de uma suposta urgência,  devido  à visão  escatológica,  se  envie ao campo um obreiro que não tenha recebido os devidos treinamentos e capacitação. Perde-se muito menos tempo, dinheiro e reputação quando se investe no bom treinamento e capacitação de um obreiro.
É com essa seriedade que encaramos, pensamos e desenvolvemos o evangelismo.
Até o próximo assunto.
Tenham um excelente 2016.
Deus vos abençoe!
Stephenson.

(56) - Veja Cl 2.4-8

(57)- Esta palavra tem sido usada com o significado de: o não estudado que não é clérigo, que não tem uma formação específica num determinado assunto, que é estranho ou alheio a um assunto. No entanto, a palavra, na sua origem latina, laicu, tem o sentido de: "Que pertence ao povo cristão como tal e não à hierarquia eclesiástica." (Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio. p. 1018).

(58)- Os textos de Ef 5.18 - 6.9 nos ensinam que ser cheio do Espírito Santo e dar evidências deste fato dentro da família e na sociedade é normativo; não é optativo. 

(59)- Diante da análise de Ef 4.2-32 de onde aprendemos que os crentes devem exibir a unidade do Espírito entende-se que é impossível desenvolver a missão se a unidade está quebrada.

(60)- Conforme Fil 3.1. Não se trata aqui de querer ser super homem ou super mulher e tentar reprimir ou esmagar as emoções negativas. É preciso aprender a reconhecer as emoções negativas sejam elas disfóricas ou não, mas saber administrá-las segundo a graça de Deus para que elas não nos impeçam de manifestar a produção dos frutos do Espírito em nós, para todas as famílias da terra.


sábado, 30 de maio de 2015

7 - A MANIPULAÇÃO NO PROCESSO DA EVANGELIZAÇÃO.

              O texto a seguir está contido no primeiro livro que escrevi e publiquei pela editora da Convenção Batista Nacional - LERBAN. O livro já está na sua segunda edição.
              Convém dar uma lida no livro citado para entender como é séria a realidade da manipulação no processo da evangelização e quais os pontos precisam ser observados para a orientação do processo de reflexão sobre essa prática tão degradante que está, como erva daninha, enraizando-se dentro da igreja local.
           Podemos conceituar a manipulação como sendo todo e qualquer processo na relação social, através do qual um ator ou uma unidade operação, em um determinado tempo e contexto específico, exerce o poder, de forma não legitimada, arbitrária, não para estabilizar a sociedade diante das pressões, para evitar a desordem e o caos, senão para garantir algum status de seu interesse.
            Os evangelistas de hoje são conclamados a pensar em algumas proposições sérias a respeito desta manipulação tão desavergonhadamente utilizada nestes dias. Ei-las:
7.1 - Considerar a realidade da autoridade e do exercício do poder na evangelização;
7.2 - Considerar as fontes e as formas de energia existentes dentro das estruturas de poder social que geram e gerenciam o fenômeno da manipulação, no exercício do poder, na relação “evangelização/autoridade”;
7.3 - Considerar que a evangelização é um processo de vida e não apenas a aplicação de um método ou de uma técnica;
7.4 - O Novo Testamento nos mostra a possibilidade, a existência e as consequências da manipulação tanto de homens, quanto de dados, recursos técnicos e forças espirituais no processo da evangelização, por parte dos homens;[1]
7.5 - A história da expansão de Igreja nos mostra uma infinidade destes casos;
7.6 - Esta manipulação é consequência de mal entendimento da ordem de Deus, cuja consequência é a distorção do caminho no qual o homem irá andar, que será bem diferente daquele para o qual Deus está chamando este homem;
7.7 - O Novo Testamento orienta a Igreja a trabalhar na evangelização sem manipulação;[2]
7.8 - O sincretismo religioso existente dentro da igreja brasileira é consequência deste  fato;
7.9 - Esta manipulação é fator gerador e gerenciador de religiosidade popular. Isto porque leva o homem a fazer de tudo - o uso da magia, por exemplo - para garantir sua autoridade sobre tudo e sobre todos;
7.10 - A religiosidade popular compõe-se pontos positivos e pontos negativos importantes que devem ser considerados com honestidade e seriedade e, que possuem grande poder de influência no processo da evangelização;
7.11 - A manipulação no processo da evangelização nunca permite gerar servos de Jesus Cristo sadios, responsáveis e reprodutores e, como consequência, não serão criadas congregações responsáveis e reprodutoras;
7.12 - A missiologia brasileira precisa considerar com honestidade, seriedade e com urgência o fenômeno da manipulação existente dentro da igreja brasileiro, não apenas para depreciá-lo, criticá-lo e menosprezá-lo, senão para catalogá-lo, analisá-lo e até mesmo avaliá-lo, a fim de propor diretrizes traçadas por princípios seguros,[3] para uma evangelização eficaz, evitando este fenômeno;
7.13 - A igreja brasileira precisa honesta, séria e urgentemente considerar sua pragmática, avaliar sua atuação missionária à luz da Palavra de Deus, para eliminar de dentro de si todo e qualquer modus operandi que manipula tanto homens quanto dados, recursos técnicos e forças espirituais no processo da evangelização;
7.14 - A manipulação faz o indivíduo mudar de agrupamento social sem permitir mudança na sua vida interior. Não há transformação para melhor, no seu caráter;
7.15 - A manipulação induz o homem a ser legalista pois o faz viver em desconsideração ao conhecimento de Deus; com isso ele estabelece a sua própria justiça e não se submete à justiça estabelecida por Deus;
7.16 - A manipulação não permite ver a linha divisória entre a obediência e o legalismo;
7.17 - A manipulação induz o homem a desenvolver um processo de barganha com Deus;
7.18 - A manipulação produz o descalabro da vida medida pelo ter e não pelo ser;
7.19 - A manipulação induz à manifestação da ira de Deus;
7.20 - A manipulação promove a criação e o desenvolvimento da idolatria - de imagens, do corpo, do materialismo, do mercantilismo, do consumismo e do poder;
7.21 - A manipulação aumenta o dilema entre a fé e as obras e não permite ao homem viver as realidades da eleição e da aliança que o próprio Deus faz com ele;
7.22 - A manipulação leva o homem à tentativa de submeter o Deus todo-poderoso a condições externas a Ele;
7.23 - A manipulação cega o homem. Este só si vê envolvido por crise e nunca consegue visualizar o Deus todo-poderoso que o guarda de maneira viva.
7.24 - A manipulação leva o homem a explorar o outro em nome de Deus;
7.25 - A manipulação pode fazer uma lavagem cerebral no outro mas nunca deixar que o Evangelho trabalhe o seu caráter para conformá-lo à imagem de Cristo mesmo.




 [1]- Veja os casos de Ananias e Safira em At 5.1-11, o caso de Simão o mágico em At 8.9-24, e o caso dos judeus, procurando estabelecer a sua própria justiça sem se submeter à justiça de Deus, em Rm 10.
 [2]- Veja Mc 9.33-37; Mt 18.1-5; Lc 9.46-48. Ver também Mc 10.35-45 e Mt 20.20-28.
 [3]- Estes princípios não podem ser outros a não ser os bíblicos, apurados por uma hermenêutica e exegese rigorosa, crítica, que conduz o obreiro a sistematizá-los conforme sejam normativos ou circunstanciais, que não permita a torção das Escrituras, impedindo-o de se apossar dos princípios cujos fatores sejam circunstanciais para fazer deles princípios normativos segundo o bel querer do homem.
6 - IMPLICAÇÕES PARA O NOSSO EVANGELISMO, HOJE.

             Ao pensar em sair à procura de um modelo de evangelismo hoje, em primeiro lugar devemos, antes de querer executar uma técnica aqui ou outra ali, pensar nas implicações dos modelos bíblicos para o nosso evangelismo, hoje.
        Qual a relevância e quais as implicações do estudo dos modelos bíblicos para nosso evangelismo, hoje?
             Colocamos a seguir quinze pontos para os quais devemos olhar com todo cuidado fazendo a reflexão sobre a realidade de cada um em nossa vida para mostrarmos aos outros a clareza dessa boa nova em nós. 

                        6.1 - Nosso exemplo.
                        6.2 - Nossa comunhão.
                        6.3 - Nosso caráter transformado.
                        6.4 - Nosso amor.
                        6.5 - Nossa alegria.
                        6.6 - Nossa paz.
                        6.7 - Nossa bondade.
                        6.8 - Nossa benignidade;
                        6.9 - Nossa longanimidade;
                        6.10 - Nossa fidelidade;
                        6.11 - Nossa mansidão;
                        6.12 - Nosso domínio próprio;
                        6.13 - Nossa perseverança.
                        6.14 - Nosso poder.
                        6.15 - Nossa liberdade.


               Se não fizermos essa reflexão por certo vamos cair e desenvolver uma desenfreada manipulação do outro. O anúncio da boa nova é uma coisa esplêndida! A manipulação do outro com o anúncio da boa nova é no mínimo vergonhosa imoralidade!
                Vamos pensar um pouco sobre a manipulação no processo da evangelização.


















Primeira edição.                                          Segunda edição.